Como cuidar da saúde ocular – da infância à fase adulta

Conversamos com o Dr. Cristiano Caixeta (CRM SP 96.458), médico oftalmologista e Presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), para entender como cuidar da saúde ocular – da infância à fase adulta.

Enquanto somos crianças, cuidar da saúde ocular fica a cargo de nossos responsáveis. Conforme crescemos, vamos nos ocupando com as atividades cotidianas e passamos a buscar ajuda somente quando o corpo emite um alerta. Visão embaçada, dificuldade para enxergar à noite e problema para ler de longe são alguns sintomas que podem ser monitorados e controlados ao longo da vida, mas somente com o suporte adequado. Entenda no texto abaixo.

Saúde ocular da criança: como e quando cuidar

Durante os primeiros anos de vida, o sistema ocular está em pleno desenvolvimento, por isso esta fase é decisiva para o amadurecimento visual. Tanto que o primeiro exame já acontece enquanto o bebê está na maternidade. Nas primeiras 72h de vida já é realizado o Teste do Reflexo Vermelho (o popular “Teste do Olhinho”)¹, obrigatório por lei no Brasil desde 2017 como um dos exames básicos e essenciais para avaliar o desenvolvimento do bebê. Ele consiste no direcionamento de luz para o olho do bebê e avalia a cor do reflexo, podendo ser avermelhada, alaranjada ou amarelada. Caso a cor refletida seja branca o médico oftalmologista solicitará exames complementares para investigação.

“Este exame pode detectar qualquer alteração que cause obstrução no eixo visual, como catarata, glaucoma congênito e outros problemas que até podem causar cegueira – cuja identificação precoce pode possibilitar o tratamento no tempo certo e o desenvolvimento normal da visão”, explica Dr. Cristiano Caixeta (CRM SP 96.458), médico oftalmologista e Presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

Após a abordagem inicial, o Teste do Olhinho deve ser repetido pelo pediatra três vezes ao ano (pelo menos) nos três primeiros anos de vida da criança¹. Na identificação de qualquer anormalidade, o paciente deve ser encaminhado ao oftalmologista para a realização de exames específicos que irão investigar a fundo as possíveis causas.

Além da realização deste exame na maternidade, a criança deve ser monitorada durante todo o seu crescimento. “É importante ressaltar que a visão está diretamente relacionada ao desenvolvimento da criança. Quando há algum comprometimento visual pode haver sérios prejuízos relacionados à fala e à aprendizagem, por exemplo”, elucida o médico.

Exames para cuidar da saúde ocular da criança

A Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomendam1 que o pediatra faça as avaliações listadas abaixo:

* Primeiras 72h de vida: Teste do Reflexo Vermelho (TRV) pelo menos três vezes ao ano durante os primeiros 3 anos de vida. A falha de visualização ou anormalidades no TRV são indicações para encaminhamento urgente ao médico oftalmologista.

* 0 a 36 meses: Inspeção dos olhos e anexos (pálpebras, córnea, conjuntiva, íris e pupila); avaliação da função visual apropriada para a idade; fixação ocular e alinhamento dos olhos.

* 0 a 12 meses: Avaliação dos marcos de desenvolvimento visual para bebês saudáveis:

o Um mês: presença de fixação visual;

o Dois meses: presença de movimentos oculares verticais;

o Três meses: presença da fixação e seguimento de objetos e de movimentos sacádicos adequados;

o Seis meses: presença de tentativa de alcançar os objetos apresentados e do alinhamento ocular apropriado;

o Nove meses: presença do reconhecimento de rostos e expressões.

* Importante: Devem ser encaminhados para exame oftalmológico completo os bebês que não fazem contato visual nos primeiros dois meses de vida ou não apresentam sorriso social ou percepção das próprias mãos aos 3 meses; ou que não pegam brinquedos aos 6 meses, ou não reconhecem rostos e expressões aos 11 meses.

* 12 a 36 meses: cada olho deve ser avaliado individualmente se desenvolveu fixação, capacidade de seguir luz e objetos, reação à oclusão de cada olho.

Já a partir dos seis meses de idade, sugerem que o bebê visite o médico oftalmologista para avaliação completa:

* 6 a 12 meses: inspeção dos olhos e anexos; avaliação da função visual (exame de fixação e seguimento monocular); avaliação da motilidade e alinhamento ocular (testes de cobertura simples e alternada); refração cicloplegiada e avaliação do fundo de olho dilatado.

* 3 a 5 anos (idealmente aos 3 anos): inspeção dos olhos e anexos, avaliação da acuidade visual, avaliação da motilidade e alinhamento ocular (testes de cobertura simples e alternada), refração cicloplegiada e avaliação do fundo de olho dilatado. Se o exame for inconclusivo ou insatisfatório, uma nova avaliação é recomendada em 6 meses.

* 5 a 12 anos: avaliação oftalmológica sobre possíveis erros refracionais a partir dos sinais e sintomas do paciente.

* 13 a 40 anos: além da avaliação de erros refracionais, o médico oftalmologista também se volta para possíveis problemas decorrentes da idade, como catarata, glaucoma e retinopatia diabética.

A criança que apresenta um problema visual desde o início de sua vida não teve a oportunidade de comparar uma visão boa ou nítida a uma visão destorcida ou borrada, então acredita que aquele é o jeito “normal”. Por isso é importante é estar atento a alguns sinais. No entanto, nem sempre isso é tarefa fácil.

Dr. Cristiano Caixeta orienta: “Redobrar a atenção para determinados comportamentos, como: ‘apertar’ os olhos para enxergar, inclinar a cabeça para olhar para algo, baixo desempenho escolar sem outra causa aparente, confusão entre cores, formas e objetos, quedas e esbarrões frequentes, além do hábito de aproximar o rosto de livros e telas é uma boa tática. Ao notar esses sinais, consultar um médico oftalmologista o quanto antes pode fazer a diferença na vida da família e da criança”.

Principais doenças oculares que podem afetar crianças

Em casos de crianças prematuras deve existir a preocupação da avaliação e tratamento quando necessário da chamada retinopatia da prematuridade². Há, também, alguns tipos raros de câncer ocular, que podem acometer as crianças.

Existem algumas doenças que podem estar presentes ao nascimento, ainda que numa frequência não tão elevada. O glaucoma congênito e a catarata congênita³ são duas doenças que merecem atenção.

Nas crianças um pouco maiores, os problemas oculares mais comuns são os erros de refração (miopia, hipermetropia e astigmatismo), estrabismo (o chamado “olho torto”), ambliopia – também conhecida como “olho preguiçoso” – e ceratocone.

Saúde ocular na fase adulta

Principais doenças oculares

Com a visita regular ao médico oftalmologista, torna-se mais fácil monitorar o surgimento de doenças oculares que possam comprometer a visão, sendo que algumas delas são mais comuns após os 40 anos. Segundo Dr. Caixeta, “a presbiopia, popularmente conhecida como ‘vista cansada’⁴ é de longe a mais comum e pode comprometer a qualidade da visão para perto. Todos nós, após os 40 anos, poderemos apresentar em maior o menor grau este desconforto para a leitura de perto. Doenças como o glaucoma, por exemplo, que é causado pelo aumento da pressão intraocular, também apresenta uma incidência crescente a partir desta faixa etária”. Já na terceira idade, aumenta a incidência de doenças como catarata, degeneração macular relacionada à idade e a retinopatia diabética.

Sendo assim, a partir dos 40 anos, o profissional realiza os exames oculares para avaliar erros refracionais a partir de sinais e sintomas apresentados pelo paciente e passa a levar em consideração as possíveis alterações oculares em virtude do avançar da idade.

A partir dos 60 anos, catarata, retinopatia diabética, glaucoma e degeneração macular relacionada à idade são mais comuns.

Como cuidar da saúde ocular na vida adulta

Visitar o médico oftalmologista anualmente para consultas de rotina é essencial, além de não esperar por sintomas para consultá-lo, pois algumas doenças graves podem se desenvolver de forma assintomática – como é o caso do glaucoma. O especialista consegue fazer exames básicos, como de refração, fundo de olho, tonometria (medida da pressão intraocular), entre outros.

Com o avançar da idade, passamos a precisar de ajuda para observar determinados sintomas que podem interferir diretamente em uma vida funcional.

O principal sinal de alerta que deve ser observado é a redução da qualidade visual. Quando a visão começa a ficar embaçada e distorcida, é hora de recorrer à ajuda profissional. Devido a essa perda visual, quedas e confusões com medicamentos podem ocorrer com frequência. Por isso, visitar o especialista o quanto antes é muito importante.

Estima-se que 80% dos casos de cegueira poderiam ser evitados caso houvesse um diagnóstico precoce. Somado ao trabalho do médico oftalmologista, a “receita” para uma vida mais saudável também pode englobar alimentação balanceada e prática de

atividades físicas para evitar problemas oculares, bem como manter doenças crônicas sob controle, como diabetes e hipertensão.

Os conteúdos disponíveis neste portal têm a intenção de informar sobre a saúde ocular. A consulta com o profissional de saúde é fundamental e imprescindível para eventual diagnóstico, tratamento e acompanhamento do paciente.

Referências

1 Recomendação SBOP para exame oftalmológico na primeira infância

2 Retinopatia da prematuridade

3 Teste do reflexo vermelho: forma de prevenção à cegueira na infância

4 Detección de la presbicia en el adulto e implicación laboral / Sight detection in adults cend its impact to laboral implications

Veja mais conteúdos:

06 de outubro 2017
Você sabe qual é a função da lágrima? Ela é responsável pela nutrição e hidratação dos nossos olhos [...]
25 de maio 2018
O glaucoma é considerado a principal causa de cegueira irreversível no Brasil e no mundo. De acordo com a Organização [...]

Diabetes pode cegar, mas você pode evitar

Quando o assunto é a saúde dos olhos, precisamos enxergar além e nos cuidar por completo, pois diversas […]

Quando o assunto é a saúde dos olhos, precisamos enxergar além e nos cuidar por completo, pois diversas disfunções podem desencadear problemas oculares. É o que acontece com o diabetes, que tem a data de 14 de novembro mundialmente dedicada a si. Hoje iremos falar sobre retinopatia diabética, condição que pode levar à cegueira¹.

Por que o diabetes pode prejudicar a saúde dos olhos?

O diabetes é uma doença crônica. Quando não é tratado adequadamente, pode levar a uma série de complicações, como seu impacto na visão – uma das principais causas de cegueira evitável, causada pela retinopatia diabética².

A retinopatia diabética se caracteriza por uma lesão nos pequenos vasos sanguíneos que nutrem a retina – região do olho responsável pela formação das imagens enviadas ao cérebro -, formando a visão. A doença ocorre quando os níveis de glicose no sangue estão muito elevados, causando alterações nos vasos da retina. Consequentemente, a pessoa pode apresentar alterações visuais com a instalação da doença².

Conscientizar os pacientes diabéticos sobre isso é muito importante e por isso criamos a campanha Abra os olhos – O diabetes pode levar à cegueira. Entenda mais no vídeo abaixo:

O presidente da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo, Dr. Maurício Maia (CRM-SP 90.191), e o médico oftalmologista Dr. Fernando Malerbi (CRM-SP 100.697), Membro da Comissão de Telemedicina da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo, conversaram com a gente a respeito do tema e reforçaram a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado para evitar a cegueira – possível consequência quando o diabetes e suas complicações oculares não são controlados adequadamente, o que ocorreu em muitos casos em virtude da pandemia de covid-19.

Visão em Dia – Qual foi o impacto que a pandemia de covid-19 teve na condução dos pacientes com retinopatia diabética?

Dr. Mauricio – Desde o início da pandemia, este tem sido o período de maior procura de pacientes diabéticos pelo atendimento de médicos oftalmologistas. Com o avanço da vacinação, muitas pessoas se sentem mais seguras para sair de casa e retomar alguns cuidados.

No entanto, temos percebido que os pacientes estão retornando aos consultórios acometidos por quadros mais agravados, aumentando a ocorrência de cirurgias e tratamentos mais agressivos como alternativas para conter o avanço das doenças oculares que, se tivessem sido diagnosticadas e tratadas precocemente, poderiam ter sido controladas com o uso de medicamentos.

Visão em Dia – E qual tem sido a maior dificuldade tendo em vista este cenário?

Dr. Mauricio – A adesão aos tratamentos ainda é muito baixa por conta do receio das variantes da covid-19, principalmente porque parte dos pacientes com diabetes e retinopatia diabética são mais velhos.

Com o vírus ainda em circulação, as pessoas mais idosas têm receio de se dirigir ao consultório com mais frequência devido às questões de imunossenescência, ou seja, o envelhecimento da imunidade, o que aumenta a suscetibilidade às infecções respiratórias e outras. Mas, comumente, quando iniciamos o tratamento da retinopatia diabética precisamos acompanhar o caso entre um ou dois meses e esta frequência não tem sido atendida.

Visão em Dia – E como o médico oftalmologista pode auxiliar o paciente diabético?

Dr. Mauricio – Levando informação e oferecendo os tratamentos disponíveis.Hoje, as principais opções são:

Os medicamentos antiangiogênicos, que são substâncias que inibem a ação dos fatores de crescimento vascular e, assim, reduzem a formação e a proliferação de novos vasos sanguíneos³.

Há a opção da injeção intraocular de antiangiogênicos associado ao laser, aplicada mensalmente ou a cada dois meses³.

Outra terapia bastante utilizada é também uma injeção, mas à base de corticoides que são liberados lentamente, e que também pode ser associado ao laser. Com esta opção, nós conseguimos manter o paciente em tratamento e afastado do consultório até quatro meses4.

Ou seja, quanto mais duradouro o tratamento, mais conveniente para o paciente que não precisa se preocupar com nova aplicação ou com uma volta ao consultório de maneira recente, uma vez que o intervalo é maior.

Visão em Dia – O doutor gostaria de acrescentar mais alguma informação?

Dr. Mauricio – Em um mundo ideal, todos os pacientes teriam acesso a todos os tratamentos, mas como isso não é possível, devemos concentrar esforços na disseminação da importância do diagnóstico precoce e do controle da glicemia. O diabetes é uma das principais origens de cegueira evitável em pessoas de idade produtiva e aproximadamente um em cada três adultos com diabetes em todo o mundo é afetada pela retinopatia diabética5. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 146 milhões de pessoas tem retinopatia diabética6, possível consequência do diabetes não tratado adequadamente. É um assunto sério, os números são alarmantes, e por isso precisamos nos mobilizar.

Para a aderência aos tratamentos, precisamos:

  1. Conscientizar os pacientes, pois eles só irão atrás da resolução de um problema se souberem que este problema existe;
  2. Nós, enquanto entidades médicas, precisamos oferecer ajuda e ser mais acessíveis ao público.

Os conteúdos disponíveis neste portal têm a intenção de informar sobre a saúde ocular. A consulta com o profissional de saúde é fundamental e imprescindível para eventual diagnóstico, tratamento e acompanhamento do paciente.

Referências

¹Sociedade Brasileira de Diabetes – Pesquisa brasileira com gadgets e IA pode ampliar acesso à detecção de retinopatia e prevenção de cegueira

² Retinopatia diabética

³ Incorporação de antiangiogênicos para tratamento do Edema Macular Diabético – https://www.researchgate.net/profile/Gustavo-De-Oliveira-4/publication/327177994_Incorporacao_de_antiangiogenicos_para_tratamento_do_Edema_Macular_Diabetico/links/5b7ea42a92851c1e122a2b9a/Incorporacao-de-antiangiogenicos-para-tratamento-do-Edema-Macular-Diabetico.pdf

4RETINOPATIA DIABÉTICA Guidelines – https://www.ger-portugal.com/download/16/files/assets/common/downloads/16.pdf

5Interncional Agency for the Prevention of Blindness (IAPB) – Estudo de referência revela que adultos com diabetes correm risco desnecessário de perda de visão

6World Reporto on Vision 2019 – Página 25 (Disponível para download aqui)

Veja mais conteúdos:

26 de julho 2017
Seja no verão, seja no inverno, o cuidado com a saúde ocular deve ser constante. E neste quesito, [...]
24 de junho 2021
Monitorar a saúde ocular é tão importante, que antes mesmo de sairmos da maternidade nós já passamos pelo teste do [...]
08 de novembro 2021
Quando falamos em consequências do diabetes, não podemos deixar de abordar o acometimento dos olhos.A doença, que ao longo do tempo passa a interferir na circulação do sangue em todo o organismo, afeta também a circulação dos olhos, causando a retinopatia diabética, que se não tratada pode levar à cegueira irreversível.

Setembro Safira: O uso correto das lentes de contato pode preservar a sua visão

Em meio a tantas cores e iniciativas, o mês de setembro acompanha a cor safira pela primeira vez. A Campanha foi desenvolvida para educar sobre o uso adequado das lentes de contato, pois a utilização de maneira errada pode causar úlceras de córnea, com um alto risco de perda ou comprometimento da visão.

Em meio a tantas cores e iniciativas, o mês de setembro acompanha a cor safira pela primeira vez. A Campanha foi desenvolvida para educar sobre o uso adequado das lentes de contato, pois a utilização de maneira errada pode causar úlceras de córnea, com um alto risco de perda ou comprometimento da visão.

Para conhecer a fundo o projeto Setembro Safira, conversamos com a Dra. Claudia Del Claro (CRM-SC 10.589), médica oftalmologista e especialista em lentes de contato:

Visão em Dia – O que é a Campanha Setembro Safira?
Dra. Claudia – É uma campanha nacional de conscientização sobre o uso adequado das lentes de contato. Seu nome vem do significado simbólico da pedra preciosa safira, que representa a sabedoria.
Pensando nisso, a campanha tem o propósito de levar sabedoria, conhecimento; conscientizar e educar a população quanto ao correto uso das lentes de contato para evitar prejuízo ocular.
Demonstrar quais são os comportamentos e hábitos inadequados que aumentam os riscos de infecções na córnea ou intolerância às lentes de contato são fundamentos deste movimento.

Visão em Dia – O que levou a Sociedade Catarinense de Oftalmologia a criar esta ação?
Dra. Claudia – Dados recentes como um estudo realizado na China e publicado no periódico Eye em 2021, mostram que a opacidade na córnea é a quinta principal causa de cegueira e deficiência visual em todo o mundo, afetando cerca de 6 milhões de pessoas mundialmente¹. Além disso, é responsável por 1,5 a 2 milhões de novos casos de cegueira monocular por ano¹, evidenciando um fardo incessante e contínuo para a saúde humana.

Entre todas as etiologias (como infecção, trauma, inflamação, degeneração e deficiência nutricional), a ceratite infecciosa representa a principal causa de cegueira relacionada à córnea em países desenvolvidos e em desenvolvimento. Sua incidência está estimada de 2,5 a 799 por 100 mil habitantes por ano. O uso de lentes de contato está entre os principais fatores de risco .

Como sabemos que a ceratite infecciosa relacionada às lentes está diretamente ligada aos maus hábitos e estes são totalmente mutáveis através da educação da população , vimos a necessidade de desenvolver uma campanha para conscientização e educação para o bom uso das lentes de contato.

Visão em Dia – Há mais dados estatísticos a respeito dos prejuízos à saúde ocular quando as lentes de contato são utilizadas de forma inadequada?
Dra. Claudia –
Sim. A pesquisa² com usuários de lentes de contato avaliou a prevalência de comportamentos de risco relacionados à higiene delas. O resultado foi chocante! Aproximadamente 99% dos usuários relataram pelo menos um hábito de risco à higiene das lentes de contato. Quase um terço dos entrevistados relatou ter experimentado olho vermelho ou dolorido relacionado às lentes de contato, exigindo uma consulta médica.

Estima-se que 40,9 milhões de adultos norte americanos usam lentes de contato, e muitos podem estar sob risco de infecções oculares graves devido ao uso inadequado das lentes de contato e comportamentos de cuidado².

Visão em Dia – Quais sinais o paciente pode apresentar em casos de não adaptação
às lentes de contato?
Dra. Claudia –
A intolerância às lentes de contato pode ser decorrente destes hábitos inadequados – como não descartar as lentes no período indicado, desinfecção inadequada ou o hábito de dormir com as lentes.

Mas nos casos em que o paciente já segue todas as orientações médicas, alguns pacientes podem não se adaptar a determinados materiais ou mesmo ser intolerantes ao produto de higienização das lentes. Sintomas como irritação, sensação de areia podem aparecer. Nestes casos procurar seu médico oftalmologista para uma avaliação.

Visão em Dia – E os colírios podem ajudar neste processo para manter os olhos e as lentes lubrificadas?
Dra. Claudia –
Os colírios lubrificantes próprios para o uso das lentes podem ser necessários caso o paciente apresente sintomas de ressecamento ocular, principalmente em frente ao computador ou em ambientes climatizados, com baixa umidade relativa do ar. E este uso das lentes com pouca lubrificação pode propiciar lesões na córnea que se tornam a porta de entrada para os agentes infecciosos, aumentando os riscos de infecção.

Visão em Dia – Qual deve ser a frequência de consulta ao oftalmologista para os pacientes que fazem uso de lentes?
Dra. Claudia –
O acompanhamento deve ser periódico, seu médico oftalmologista irá determinar a frequência dos retornos. Muitas vezes, os pacientes acham que está tudo bem, mas no exame percebemos que necessitamos reorientar o uso.

Visão em Dia – A doutora gostaria de deixar alguma mensagem para quem faz uso de lentes de contato?
Dra. Claudia –
Gostaria de reforçar que quem usa adequadamente tem uma chance muito menor de ter complicações e consegue seguir desta forma por muitos anos. Já quem não segue as orientações de cuidados – por desconhecimento ou por não acreditar nos riscos envolvidos – poderá enfrentar problemas no futuro.

Os conteúdos disponíveis neste portal têm a intenção de informar sobre a saúde ocular. A consulta com o profissional de saúde é fundamental e imprescindível para eventual diagnóstico, tratamento e acompanhamento do paciente.

¹Infectious keratitis: an update on epidemiology, causative microorganisms, risk factors, and antimicrobial resistance (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33414529/). Acessado em 08/09/2021.
²Contact Lens Wearer Demographics and Risk Behaviors for Contact Lens-Related Eye Infections – United States, 2014 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26292204/). Acessado em 08/09/2021.

Veja mais conteúdos:

20 de outubro 2017
Já pensou poder prevenir ou até mesmo retardar a evolução do glaucoma ingerindo um nutriente? Segundo estudos¹ do laboratório The [...]
28 de fevereiro 2018
O oftalmologista Rodrigo Brant dá 5 dicas valiosas para praticarmos diariamente que podem nos ajudar a cuidar melhor [...]

Por que controlar o diabetes ajuda a saúde ocular?

O diabetes é uma doença caracterizada pelo índice elevado de glicose no sangue, resultado da baixa capacidade do […]

O diabetes é uma doença caracterizada pelo índice elevado de glicose no sangue, resultado da baixa capacidade do organismo de produzir e/ou utilizar a insulina. A ausência de controle pode levar a prejuízos oculares, renais e vasculares, por isso sempre vale a pena relembrarmos quais são os cuidados necessários para tentar impedir tais complicações.

Tipos de diabetes

Existem alguns tipos de diabetes, sendo os mais comuns:

Tipo 1: É autoimune, ou seja, o próprio organismo não reconhece mais as células beta do pâncreas, por isso acaba por destruí-las. Para estes casos é necessário realizar aplicação diária de insulina, uma vez que o pâncreas não tem como produzir esse hormônio. Ele é mais comum em crianças e adolescentes.

Tipo 2: Mais comum em pessoas acima dos 40 anos de idade, este é o tipo de diabetes mais comum e, geralmente, está relacionado ao sobrepeso e/ou obesidade. Trata-se do tipo de diabetes em que o nível de glicose no sangue se eleva em decorrência do aumento da resistência à insulina. Ou seja, a insulina produzida pelas células beta do pâncreas não desempenha o seu papel corretamente, que é transportar a glicose de dentro do sangue para as células.

Além desses dois tipos, existe também o diabetes gestacional e o diabetes Latente Autoimune do Adulto (LADA), quando pessoas diagnosticadas com o Tipo 2 desenvolvem um processo autoimune e acabam perdendo células beta do pâncreas.

Diabetes: Quais cuidados devemos adotar?

Nós conversamos com o Dr. Antonio Sergio Leone (CRM-SP 37733), médico oftalmologista, sobre a relação entre cegueira e diabetes e pedimos algumas dicas para nos ajudar na manutenção da saúde ocular.

Visão em Dia – Qual é a importância de controlar a glicemia?
Dr. Antonio – Apesar de a glicemia ser apenas um dos parâmetros de manutenção do Diabetes Mellitus, o controle das taxas da mesma é muito importante para o diagnóstico e acompanhamento do tratamento junto à medicação e dieta orientadas pelo médico endocrinologista.

Visão em Dia – Quais podem ser as complicações para a saúde ocular quando a taxa de glicose está alta?
Dr. Antonio – Na fase aguda, a taxa de glicose elevada no sangue pode causar embaçamento da visão para enxergar de longe. Ao longo do tempo, isso pode causar alterações na microcirculação retiniana, causando processos de sangramentos e formações de vasos irregulares. Isso pode levar ao surgimento de um edema macular diabético e até mesmo evoluir para retinopatia diabética. Ambas as condições podem desencadear a baixa de visão e cegueira. 

Visão em Dia – Todo e qualquer tipo de diabetes pode levar ao surgimento da retinopatia diabética?
Dr. Antonio – Sim, principalmente se o paciente já convive com o problema há muito tempo. 

Visão em Dia – Quais exames diagnosticam a Retinopatia Diabética?
Dr. Antonio – A avaliação realizada pelo médico oftalmologista é bastante complexa, mas posso resumir que realizamos o diagnóstico, principalmente, observando o fundo do olho e utilizando equipamentos que permitem uma visão em grande ângulo a dilatação das pupilas. 

Visão em Dia – Quais são os comportamentos que o paciente pode adotar para controlar a glicemia?
Dr. Antonio – O protocolo de controle metabólico, principalmente da glicemia, consiste sempre em três fatores primordiais:

1. Acompanhamento da dieta e do peso corpóreo;
2. Atividade física (dentro dos limites e capacidades de cada um);
3. Quando necessário, uso de medicamentos adequados para cada caso – sempre acompanhados por um especialista e, se possível, equipe multidisciplinar;
4. Avaliação ocular periódica, principalmente quem já apresenta diabetes. A detecção precoce de alterações na retina permite o tratamento das mesmas e pode ajudar na prevenção da perda visual no decorrer da evolução da doença.

Visão em Dia – Qual mensagem o doutor poderia deixar para alertarmos os pacientes sobre a possibilidade de perda total da visão em decorrência da retinopatia diabética?
Dr. Antonio – No momento, a retinopatia diabética é uma das principais causas de cegueira em todo o mundo. O controle adequado do diabetes mellitus é fundamental para evitarmos o surgimento de complicações oculares, vasculares e renais durante a evolução da doença.

 

Os conteúdos disponíveis no portal Visão em Dia têm a intenção de informar sobre a saúde ocular. A consulta com o profissional de saúde é fundamental e imprescindível para eventual diagnóstico, tratamento e acompanhamento do paciente.

Veja mais conteúdos:

24 de junho 2021
Dificuldade para dirigir à noite por conta do brilho dos faróis dos carros, sensação de visão embaçada pela [...]
12 de agosto 2021
O diabetes é uma doença caracterizada pelo índice elevado de glicose no sangue, resultado da baixa capacidade do [...]

Como cuidar da saúde ocular em tempos de Covid-19

Desde o ano passado, o cuidado com a saúde ocular tem um novo foco para nós, voltado à […]

Desde o ano passado, o cuidado com a saúde ocular tem um novo foco para nós, voltado à importância em dar continuidade aos tratamentos oculares durante a pandemia pela Covid-19.

Já se passou mais de um ano após a confirmação do primeiro caso de coronavírus no Brasil e, desde então, por diversos motivos, é possível que pacientes tenham interrompido seus tratamentos, não retornando ao oftalmologista, ou até mesmo adiado a primeira consulta com o especialista. Por isso, além de cumprir o nosso papel regular de conscientização a respeito das medidas contra a cegueira, precisamos reforçar que os cuidados com a saúde ocular não podem cessar em meio à pandemia. É o que pontua a Dra. Edna Almodin (CRM – PR 7.500), médica oftalmologista e ex- presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia: "Sabemos que é um período atípico, mas nós, enquanto especialistas, precisamos seguir avaliando e orientando sobre a relação de custo e benefício de o paciente seguir em consulta com o profissional", acrescenta.

Covid-19 e saúde ocular: Quando visitar o especialista

Dra. Edna orienta que quem apresenta problemas de refração – como miopia, hipermetropia, astigmatismo – pode esperar mais um pouco para a avaliação periódica, desde que acordado com o médico que acompanha o paciente. No entanto, há doenças oculares que podem trazer danos sérios e são justamente essas que exigem atenção. "A demora em buscar orientação especializada pode ocasionar hemorragias e lesões irreversíveis em pessoas que tem retinopatia diabética, por exemplo. E protelar os cuidados de um paciente com glaucoma pode elevar demais a pressão intraocular e também evoluir para a perda total da visão. O paciente deve ponderar as alternativas. É uma doença progressiva? Então, consultar um médico oftalmologista é urgente. Esses casos não podem esperar", explica Dra. Edna.

Para amenizar a insegurança e manter o foco na saúde ocular, a especialista indica que o paciente ligue para o seu médico e esclareça suas dúvidas e siga as orientações do profissional.

Embora o médico oftalmologista não tenha como avaliar os sinais de progressão de uma doença ocular por telefone, é um caminho de orientação e possíveis evoluções para consultas on-line e presencial.

"Pelas plataformas on-line nós conseguimos analisar se há necessidade de uma visita presencial. Elas são necessárias quando precisamos realizar exames com instrumentos que verificam fundo de olho, pressão intraocular, entre outros, e que só podem ser realizados no consultório", esclarece a doutora.

Como cuidar da saúde ocular na pandemia

Dra. Edna aproveita para reforçar ações constantes que devemos praticar para manter a qualidade de nossa visão:

1. Consultar o médico oftalmologista regularmente
A visita regular ao oftalmologista e a realização dos exames de rotina são essenciais para detecção precoce das doenças oculares. No caso das crianças, o primeiro exame é o do olhinho (realizado ainda na maternidade). A periodicidade do acompanhamento com profissional será definida por ele a partir de diagnósticos e tratamentos indicados.

2. Controlar o tempo de exposição às telas
Desde o início da pandemia, os adultos concentraram mais tempo em frente aos computadores para trabalhar durante uma carga horária muitas vezes estendida. Já as crianças, acabaram somando horas de aulas on-line e com distrações em celulares e tablets. "Esse uso excessivo de eletrônicos resseca os olhos, pois piscamos menos enquanto estamos diante das telas. Consequentemente, esse ressecamento pode desencadear sintomas de olho seco", alerta a médica oftalmologista.

Para diminuir o impacto do uso excessivo de telas, a especialista sugere pausas, com descanso dos olhos das telas, e a prática de olhar para o infinito, que pode ser somado ao uso de colírio lubrificante devidamente orientado pelo médico oftalmologista. Esta medida pode aliviar os sintomas, mas não substitui a conversa com o médico.

3. Não interromper o tratamento ocular
Assim como já mencionado, há doenças oculares que demandam tratamento contínuo e requerem o uso diário de medicamentos, com horários e formas específicas de aplicação. É importante manter o tratamento de acordo com as instruções do seu médico.

4. Higienização adequada das mãos
Um dos meios de contágio da Covid-19 é por meio das secreções lacrimais e por isso todo contato das mãos com olhos deve ser evitado. Inclusive, as mãos devem estar sempre higienizadas para o caso de o contato acontecer.

Para quem usa lentes de contato os cuidados devem ser ainda maiores. Antes de levar as mãos aos olhos para colocar ou retirar as lentes tenha convicção de que elas estão suficientemente limpas.

Não sabemos por quanto tempo ainda precisaremos nos manter afastados uns dos outros, então cuide-se o quanto for possível, mas não deixe para depois os cuidados com a saúde dos seus olhos.

 

Os conteúdos disponíveis no portal Visão em Dia têm a intenção de fornecer informações sobre saúde ocular. A consulta com o profissional de saúde é fundamental e imprescindível para eventual diagnóstico, tratamento e acompanhamento do paciente.

Veja mais conteúdos:

16 de março 2018
O olho seco é um problema ocular que pode acometer tanto homens quanto mulheres, mas você sabia que o problema [...]
20 de outubro 2017
Já pensou poder prevenir ou até mesmo retardar a evolução do glaucoma ingerindo um nutriente? Segundo estudos¹ do laboratório The [...]
19 de julho 2021
São diversas as doenças que podem comprometer a nossa visão, inclusive com cegueira, mas com medidas preventivas é possível [...]

Conheça os exames de rotina que cuidam dos seus olhos

Monitorar a saúde ocular é tão importante, que antes mesmo de sairmos da maternidade nós já passamos pelo teste do […]

Monitorar a saúde ocular é tão importante, que antes mesmo de sairmos da maternidade nós já passamos pelo teste do olhinho. Ao longo da vida, diversas são as necessidades que orientam para os exames de rotina, tanto para a prevenção quanto para a detecção de doenças, como problemas de refração (miopia, hipermetropia e astigmatismo), catarataglaucomaretinopatia diabética, entre outros.  

A Dra. Ana Luisa Hofling (CRM-SP 37.846), Professora de Oftalmologia da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP/EPM), explica que “a consulta oftalmológica é necessária em qualquer idade para avaliar a visão, a anatomia (tanto do segmento anterior como do segmento posterior de cada olho) e o alinhamento dos olhos. Na consulta oftalmológica pode haver a necessidade de realização de exames complementares para uma avaliação mais detalhada”. 

Assim, separamos alguns dos exames mais comuns realizados para controle da saúde ocular para que você possa compreender o objetivo de cada um:

– Exame de refração: Sabe aquele exame em que olhamos várias letras e números em diferentes tamanhos? É dele que estamos falando. Ele ajuda o médico a detectar os erros de refração e a necessidade do uso de óculos. A medida da acuidade visual pode ser feita com e sem o uso de óculos e pode detectar a ambliopia (falta de desenvolvimento normal da visão). Este exame também é necessário para adaptação de lentes de contato.

– Avaliação biomicroscópica: É com a ajuda de um microscópio que o oftalmologista avalia pálpebras, vias lacrimais e as várias estruturas dos olhos. É com este exame que o especialista pode identificar causas de irritação ocular e edema nas pálpebras, alteração na lubrificação dos olhos, presença de catarata, entre outros problemas oculares.

– Medida da pressão ocular: Como é mais comum o aumento da pressão e desenvolvimento de glaucoma após os 40 anos e acima desta faixa etária, a tonometria é um dos exames imprescindíveis para avaliar a pressão intraocular (PIO).

– Oftalmoscopia: Popularmente conhecido como exame de fundo do olho, é por meio deste exame que se avalia o segmento posterior ocular – em especial, a retina e o nervo óptico. Doenças como degenerações da retina, retinopatia diabética e alterações do nervo óptico podem ser detectadas.

– Teste ortóptico: Este exame avalia a movimentação e alinhamento dos olhos (também conhecido como teste de motilidade ocular) e auxilia no diagnóstico e acompanhamento do estrabismo (dificuldade de visão binocular).

Alguns problemas oculares não causam sintomas, por isso “a consulta periódica com o especialista é a melhor opção para prevenção de várias doenças. A partir dos sinais e sintomas apresentados, o médico indicará a frequência das consultas futuras (mensal, bimestral, trimestral, semestralmente) para uma nova avaliação”, orienta Dra. Ana Luisa.

Se você precisa de ajuda para encontrar um médico, aqui você pode localizar o oftalmologista que está mais próximo da sua região.  

O texto acima possui caráter exclusivamente informativo. Jamais realize qualquer tipo de tratamento ou se automedique sem a orientação de um especialista.

Veja mais conteúdos:

27 de abril 2017
Dentre algumas das doenças oculares que atingem mais o público jovem, com índice de 4 a 600 casos [...]
13 de dezembro 2019
A conjuntivite alérgica é um dos tipos mais comuns de inflamação ocular. Mais incidente no período da primavera, ela pode [...]

Cuidar da saúde dos olhos deve comecar cedo e fazer parte da rotina

Ao longo da vida, diversas são as necessidades que orientam para os exames de rotina, tanto para a […]

Ao longo da vida, diversas são as necessidades que orientam para os exames de rotina, tanto para a prevenção quanto para a detecção de doenças, como problemas de refração (miopia, hipermetropia e astigmatismo), catarata, glaucoma, retinopatia diabética, entre outros.

A Dra. Ana Luisa Hofling (CRM-SP 37.846), Professora de Oftalmologia da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP/EPM), explica que “a consulta oftalmológica é necessária em qualquer idade para avaliar a visão, a anatomia (tanto do segmento anterior como do segmento posterior de cada olho) e o alinhamento dos olhos. Na consulta oftalmológica pode haver a necessidade de realização de exames complementares para uma avaliação mais detalhada”.

Assim, separamos alguns dos exames mais comuns realizados para controle da saúde ocular para que você possa compreender o objetivo de cada um:

– Exame de refração: Sabe aquele exame em que olhamos várias letras e números em diferentes tamanhos? É dele que estamos falando. Ele ajuda o médico a detectar os erros de refração e a necessidade do uso de óculos. A medida da acuidade visual pode ser feita com e sem o uso de óculos e pode detectar a ambliopia (falta de desenvolvimento normal da visão). Este exame também é necessário para adaptação de lentes de contato.

– Avaliação biomicroscópica: É com a ajuda de um microscópio que o oftalmologista avalia pálpebras, vias lacrimais e as várias estruturas dos olhos. É com este exame que o especialista pode identificar causas de irritação ocular e edema nas pálpebras, alteração na lubrificação dos olhos, presença de catarata, entre outros problemas oculares.

– Medida da pressão ocular: Como é mais comum o aumento da pressão e desenvolvimento de glaucoma após os 40 anos e acima desta faixa etária, a tonometria é um dos exames imprescindíveis para avaliar a pressão intraocular (PIO).

– Oftalmoscopia: Popularmente conhecido como exame de fundo do olho, é por meio deste exame que se avalia o segmento posterior ocular – em especial, a retina e o nervo óptico. Doenças como degenerações da retina, retinopatia diabética e alterações do nervo óptico podem ser detectadas.

– Teste ortóptico: Este exame avalia a movimentação e alinhamento dos olhos (também conhecido como teste de motilidade ocular) e auxilia no diagnóstico e acompanhamento do estrabismo (dificuldade de visão binocular).

Alguns problemas oculares não causam sintomas, por isso “a consulta periódica com o especialista é a melhor opção para prevenção de várias doenças. A partir dos sinais e sintomas apresentados, o médico indicará a frequência das consultas futuras (mensal, bimestral, trimestral, semestralmente) para uma nova avaliação”, orienta Dra. Ana Luisa.

Se você precisa de ajuda para encontrar um médico, aqui você pode localizar o oftalmologista que está mais próximo da sua região.

O texto acima possui caráter exclusivamente informativo. Jamais realize qualquer tipo de tratamento ou se automedique sem a orientação de um especialista.

Veja mais conteúdos:

14 de novembro 2017
Comemorado no próximo dia 14 de novembro, o Dia Mundial do Diabetes traz como principais bandeiras a importância da conscientização [...]
16 de março 2018
O olho seco é um problema ocular que pode acometer tanto homens quanto mulheres, mas você sabia que o problema [...]

Como cuidar da saúde dos seus olhos

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há pelo menos 2,2 bilhões de casos de cegueira ou deficiência […]

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há pelo menos 2,2 bilhões de casos de cegueira ou deficiência visual no mundo, sendo que 1 bilhão poderia ter sido evitado, ou ainda não foi tratado (1). Por isso, o Dia Mundial da Visão, que este ano ocorre em 08 de outubro, reforça a necessidade dos cuidados com a saúde ocular, que começa com o médico oftalmologista.

Todos nós estamos sujeitos ao acometimento de doenças oculares, mas as que exigem mais atenção são as que não apresentam sintomas. Ou seja, as doenças que, inicialmente, trazem sintomas imperceptíveis – são detectados somente com a ajuda do médico oftalmologista.

Como cuidar da saúde ocular

A primeira e mais importante atitude é visitar o especialista periodicamente. Por meio dos exames de rotina o médico oftalmologista consegue avaliar se há alguma alteração e a necessidade de realização de exames complementares.

O segundo passo é seguir à risca as orientações do profissional. Por exemplo, o paciente com glaucoma precisa instilar os colírios nos horários indicados. Cada medicação prescrita tem uma função e esquecer um deles pode afetar o resultado do tratamento como um todo. Em caso de dúvida, sempre converse com o seu médico.

Além do acompanhamento de um especialista, também é importante estar atento a atitudes que ajudam a prevenir o surgimento de doenças, tais como:

– Não coçar os olhos para evitar o desenvolvimento ou progressão do ceratocone;
– Caso tenha indicação médica, usar óculos com filtros para proteger os olhos e eventual prevenção de doenças como degeneração macular relacionada à idade (DMRI);
– Ter cuidado para evitar acidentes domésticos que possam causar traumas, como fogo, objetos pontiagudos;
– Praticar atividade física regularmente (2);
– Manter uma alimentação saudável, rica em antioxidantes (3);
– Evitar o tabagismo (4), pois ele pode acelerar o desenvolvimento de doenças oculares.

Principais doenças oculares:- 196 milhões de pessoas com degeneração macular relacionada à idade (5);
– 146 milhões de pessoas com retinopatia diabética (3);
– 76 milhões de pessoas com glaucoma (3);

Conhecer as doenças oculares que podem levar à perda completa da visão é um caminho para a prevenção e adesão aos tratamentos propostos pelos médicos. Saiba mais sobre algumas delas:  

GLAUCOMA

O glaucoma é uma doença crônica, sem cura, que pode não apresentar sintomas em sua fase inicial. O diagnóstico precoce depende da visita regular ao médico oftalmologista. O glaucoma é uma doença que acomete o nervo óptico e que pode estar associada ao aumento da pressão intraocular (PIO – pressão interna do olho)

O glaucoma é mais comum em negros, idosos, pessoas com histórico da doença na família ou alta miopia, além de usuários crônicos de colírios com corticoides e diabéticos (6).

Uma das formas de tratamento é o uso de colírios hipotensivos, ou seja, aqueles que têm o efeito de baixar a pressão intraocular, usados de forma contínua (para o resto da vida). Em alguns casos, o uso de laser ou cirurgia é indicado.

Neste vídeo você encontra informações complementares e de forma mais ilustrativa.

RETINOPATIA DIABÉTICA

retinopatia diabética (RD) é uma complicação do diabetes que pode não apresentar sintomas em seus estágios iniciais. Ela afeta cerca de uma em cada três pessoas que vive com diabetes e é a principal causa de perda de visão e cegueira em pessoas com idade entre 20 e 65 anos (7). 

Inicialmente, não apresenta sintomas. A partir do momento em que as complicações vão ficando mais sérias, a visão se torna borrada e distorcida.

A doença é causada pelo excesso de açúcar nos pequenos vasos sanguíneos que irrigam a retina. Este material desgasta os casos, causando edemas ou obstruções. Portanto, é fundamental que o paciente com diabetes mantenha a taxa glicêmica controlada e faça visitas periódicas ao médico oftalmologista, além do endocrinologista.

Saiba mais sobre a retinopatia diabética neste vídeo.

As doenças oculares podem ser controladas e é possível evitar sua progressão. Para isso, é importante visitar regularmente o médico oftalmologista. Na consulta de rotina o especialista identifica se existe algum problema e quais providências podem ser tomadas.

Se este texto te ajudou, certamente pode ajudar as pessoas a sua volta: compartilhe com seus amigos e familiares!O texto acima possui caráter exclusivamente informativo. Jamais realize qualquer tipo de tratamento ou se automedique sem a orientação de um especialista.

Referência bibliográfica
(1) World report on vision 2019.
(2) A importância da prática de atividades físicas na promoção da saúde ocular das pessoas idosas;
(3) Luteína: Propriedades antioxidantes e benefícios à saúde
(4) Análise da camada de fibras nervosas da retina em usuários crônicos do tabaco e álcool;
(5) Hope in Sight – Toolkit;
(6) Conselho Brasileiro de Oftalmologia: Tudo sobre glaucoma;
(7) International Diabetes Federation: Diabetic Macular Edema (DME).

Veja mais conteúdos:

04 de abril 2020
Desde 2016, o mês de abril passou a ter um papel bastante importante quando falamos em saúde ocular. [...]
29 de setembro 2018
O ceratocone é uma doença progressiva da córnea que, segundo a literatura médica clássica, atinge uma a cada 2.000 pessoas. [...]