Visão em Dia

Os olhos são grandes responsáveis pelas
experiências que temos ao longo de nossas
vidas, e para mantê-los saudáveis alguns
cuidados são necessários.

Glaucoma congênito: um risco para a saúde de crianças e bebês

Publicado em 13/06/2019

Quando se fala em glaucoma, geralmente a doença está relacionada aos idosos, mas não é apenas após os 40 anos que ela se torna um risco, o desenvolvimento da doença pode ocorrer também antes mesmo do primeiro ano de vida. Existem diferentes tipos de glaucoma, e um deles se desenvolve em bebês e crianças. Você já ouviu falar do glaucoma congênito?

O glaucoma congênito é uma condição rara, normalmente, diagnosticado no primeiro ano de vida da criança. Ela pode ser de origem genética, mas, comumente, está ligada a alterações na formação do sistema de drenagem do globo ocular do feto. Essa má formação pode levar ao aumento da pressão intraocular que causam distensão do globo ocular e lesão do nervo óptico¹. Se não tratadas, levam, em geral, à cegueira.

Para entender melhor a doença, conversamos com a médica oftalmologista especialista em Glaucoma e Catarata, Dra. Christiane Rolim de Moura (CRM-SP  75498): 

Visão em Dia: O que é o Glaucoma Congênito?
Dra. Christiane Rolim: Este termo designa um grupo de doenças que acontece na infância com diferentes etiologias. As causas mais comuns estão relacionadas a alterações na formação normal da porção anterior do globo ocular, comprometendo as vias de drenagem do humor aquoso, ainda durante a vida intrauterina. Sendo assim, o feto ou a criança pequena podem apresentar a pressão intraocular elevada, desde muito cedo. 

Visão em Dia: Como a doença pode ser identificada?
Dra. Christiane Rolim: Os sintomas observados são sensibilidade à luz e lacrimejamento, aumento do tamanho da córnea e do globo ocular, assim como a perda de seu brilho normal ou embranquecimento da córnea². Esses sinais podem ser observados pela família, pelo pediatra ou pelo oftalmologista.

Visão em Dia: Há algum fator de risco para o desenvolvimento da doença?
Dra. Christiane Rolim: Existe um caráter hereditário³ neste grupo de doença. O uso indiscriminado de colírios com corticosteroides é um fator de risco importante, que pode gerar um quadro semelhante aos glaucomas na infância não adquiridos. Portanto o corticosteroide na infância deve ser utilizado exclusivamente sob orientação e supervisão medica.

Visão em Dia: Como é feito o tratamento?
Dra. Christiane Rolim: Geralmente através de procedimentos cirúrgicos, alguns casos podem receber colírios hipotensores oculares em situações específicas.

Visão em Dia: Em alguns casos o glaucoma congênito leva à perda da visão, esta perda pode ser revertida com o tratamento?
Dra. Christiane Rolim: Sim, sem dúvida. Uma porcentagem significativa dos casos, o tratamento impede a evolução para a perda de visão, para que isso aconteça, o plano de tratamento deve ser estabelecido imediatamente após o diagnóstico. 

O diagnóstico precoce é a melhor forma de garantir o tratamento adequado e preservar a visão, caso perceba qualquer alteração nos olhos do bebê ou criança, leve-o a uma consulta com o médico oftalmologista

O texto acima possui caráter exclusivamente informativo. Jamais realize qualquer tipo de tratamento ou se automedique sem a orientação de um especialista.

¹https://www.reviewofophthalmology.com/article/pediatric-glaucoma-a-review-of-the-basics

²https://www.reviewofophthalmology.com/article/pediatric-glaucoma-a-review-of-the-basics

³ Affiliated Professor, Pediatric Glaucoma Section - http://bit.ly/2I1AnLe
 

Taís Cruz - MTB 0083367/SP

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